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sábado, 6 de setembro de 2008

Conhecimento Acumulado

Acho que durante o curso o professor, a pesar dos incidentes e das dificuldades, conseguiu passar um pouco do seu conhecimento com bastante êxito melhorando assim, o nosso aprendizado no que diz respeito à História do Ensino das Artes. Lembro-me que um pensamento mostrado e explicado em sala de aula tipo:

“Ensina-me e eu esquecerei”;
“Conta-me e eu lembrarei”;
“Envolva-me e eu aprenderei”.
Para mim, esse pensamento foi de grande importância por que normalmente não me despertava grandes aprofundamentos no tocante à leituras. A partir daí, comecei a ler mais e ver através de reportagens tipo: Globo Ação como também a TV Cultura que normalmente apresentam trabalhos de outros educadores visando a arte para as crianças e comunidade carentes tornando estes educadores mais que um simples professor e poderíamos até dizer “Super-Herói”, abordando normalmente assuntos que é de muita complexidade como também, bastante polêmico nos dias de hoje.
Não quero ser redundante em descrever a risca todo assunto abordado em sala de aula, visto que, outros amigos de sala já o fizeram e com bastante eloqüência, quero apenas ressaltar pontos que para mim foi muito prazeroso em participar principalmente em pesquisar que é uma das melhores maneiras de aprendizado, tipo:

§ Imagens de Infância do século XVI a XIX;
§ Artes e Ofício;
§ Colonização e Jesuitismo;
§ Protótipos da Infância;
§ Projeto Educacional dos Jesuítas;
§ Arte e Educação;
§ Artes Industriais;
§ Escolinha de Arte;
§ Educação pela Arte;
§ Escolanovismo;
§ Análise do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova;
Por fim, a pesquisa em uma escola da rede privada em conjunto com o grupo no qual foi formado previamente, no nosso caso, a escola foi o INSTITUTO DON ADALTO, localizado em Jaguaribe, neste trabalho nós apresentamos alguma “Imagens e Textos do ensino de artes visuais”.
Ronaldo Figlioulo

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

CONHECIMENTO ACUMULADO - RESUMO

Ao longo da história, o ensino de artes no Brasil teve muitos enfoques e diferentes denominações, a saber:

1 – Ates e ofícios (séc.XVI ao XVIII)

Esse período corresponde à fase de colonização no Brasil em que predominava o sistema latifundiário de exploração. A influência dos jesuítas a partir de 1549 é dominante, e o processo de educação consistia, principalmente, em uma formação religiosa. O ensino da arte pelos jesuítas se dava por meio de processos informais e limitava-se a técnicas artísticas.
Nessa época, concebia-se a infância a partir de três protótipos: - a infância nobre ou infância dourada ( formação catequética ou especial); - infância colegial ou infância de prata (o “ratio studiorum”) e a infância pobre ou indígena ( formação profissional nas artes e ofícios).
As imagens dessa época traziam mensagens de catequização e na representação da infância predominavam as figuras de anjos.

2 – Ensino do Desenho (séc.XIX)

No Brasil, o ensino das artes, durante um longo período, privilegiou a técnica e a habilidade. Com a implantação da Academia Imperial de Belas Artes e com a vinda da missão artística francesa, que trouxe grandes nomes da Europa na área de artes, havia uma divisão do ensino em Artes Mecânicas (para o povo); e Belas Artes (para a elite).
Com a abolição da escravatura, em 1888, e com a Proclamação da República, em 1889, passam a vigorar as idéias positivistas e liberais, o que alterou a concepção do ensino de arte nas escolas. Esse ensino recebeu a denominação de Ensino do Desenho, totalmente voltado para a linguagem da técnica e da ciência, com o objetivo de desenvolver o raciocínio e de preparar o povo para o trabalho.
A criança era considerada e retratada como um adulto, ou como um projeto de adulto.
Posteriormente, no período da Escola Nova (década de 30), movimento inspirado no filósofo John Dewey e trazido para o Brasil por Nereu Sampaio e Anísio Teixeira, adota-se uma nova concepção de criança. A criança não era mais considerada um adulto em miniatura, passando a ser valorizada em seu próprio contexto e a arte passa a ser compreendida como expressão e criatividade.

3 – Trabalhos Manuais ( meninas - década de 30)

Proposta de ensino de artes para mulheres, para o lar (bordados, tricô, croché, macramê, objetos de adorno para o lar, corte e costura, arte culinária e outros)
“ Formação de “senhoritas” pela conjugação entre desenho, pintura e artes aplicadas”.


4 – Artes aplicadas ( meninos – década de 30)

Articulação do desenho com as artes aplicadas para os meninos. Atividade educativa para o trabalho ( desenho geométrico, etc)

5 - Educação pela arte ( década de 50)

O grande inspirador desse movimento foi Herbert Read, filósofo idealista e romântico, com a divulgação das idéias de seu livro, “A Educação pela arte” (1982). Retoma as idéias de Platão, considerando a arte como base para a educação, como um processo de crescimento do indivíduo; o ensino passa a ser baseado nas coisas (experiências). A educação pela arte é educação para a paz.
A arte é associada à expressão, a sentimentos e é considerada passaporte para a felicidade.
Outro grande mentor desse período foi Viktor Lowenfeld, através de seu livro, “Desenvolvimento da capacidade criadora”. Concebia a arte como válvula de escape, funcionando como uma terapia, e defendia o desenvolvimento estético como inseparável do desenvolvimento criador.
As Escolinhas de arte no Brasil (EAB) tiveram também uma grande influência, nesse período, por adotarem a concepção de arte como expressão e criatividade.


6 – Artes Industriais (década de 60)

Com o início do desenvolvimento industrial no Brasil, em fins do século XIX e início do século XX, o ensino da arte é direcionado para o planejamento e execução de projetos industriais, para o ensino profissional e técnico.
Nesse contexto de industrialização, emerge a necessidade de formação de mão de obra para atuar nas fábricas, ou seja, de operários mecânicos capazes de exercer sua função.
O ensino do desenho nas escolas passa a ter um caráter profissional e prático. Recorria-se a vários recursos como visitas às indústrias, elaboração de gráficos e projetos. Nesse período, as salas de aula da disciplina assemelhavam-se a oficinas.
A denominação Artes Industriais surgiu em 1889, usado por Rui Barbosa. Defendia-se, na época, que era preciso haver arte na indústria.
A partir da Constituição de 1937, o ensino profissionalizante seria destinado às classes menos favorecidas. A educação voltou-se para o trabalho e para o desenvolvimento econômico nas décadas seguintes.



7 – Educação Artística

O professor de Educação Artística caracteriza-se pela polivalência. Os cursos universitários preparavam esses professores mediante uma formação básica para que eles pudessem ter uma atuação bastante eclética: música, teatro, artes visuais, desenho geométrico, dança, etc.
A concepção dominante (década de 70) era arte como expressão, sentimento e emoção, conseqüentemente o professor atuava como facilitador dessa auto-expressão, da livre expressão do aluno, incentivando a liberação emocional e a espontaneidade. Predominava a tendência a valorizar a atividade, o processo, e não o resultado.




8 – Arte educação

A Escolinha de a Arte no Brasil desencadeia o movimento de arte-educação.
O professor arte-educador valoriza a cognição, o conhecimento, e busca ampliar os referenciais do aluno, por acreditar que arte se aprende e se ensina, portanto não é dom, como se imaginava.
Com base nessa concepção, o arte-educador leva o aluno a desenvolver a criatividade, favorecendo experiências, acionando processos mentais, aguçando a percepção visual, e, principalmente, contextualizando a informação artística no universo do aluno.



9 – Artes Visuais

A partir da formulação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), em 1997 e 1998, são feitas reflexões sobre a função da arte na educação e são propostos novos paradigmas: produzir, apreciar e contextualizar a arte. A proposta contemporânea para o ensino da arte envolve, portanto, a criação (o fazer artístico); a leitura da obra de arte e a contextualização ( Proposta Triangular).
A arte é concebida como conhecimento e não como dom.
É fundamental no ensino da arte o conhecimento e a vivência, experimentar fazer, levar o jovem a familiarizar-se com as diversas linguagens artísticas; levá-lo à fruição estética, ou seja, a aprender a apreciar, o que amplia seu horizonte cultural, aguça a sua sensibilidade, humaniza-o e, sobretudo, permite ao jovem o acesso a bens culturais aos quais tem direito como cidadão.
A arte não pode ser um patrimônio de poucos, não pode ser elitista, daí a importância do ensino da arte na escola para democratizá-la.
O ensino da arte não deve ser confundido com o ensino de técnicas, ou apenas como expressão, mas deve visar a uma compreensão histórico-cultural do fenômeno artístico. Aprender, portanto, não só a apreciar, mas a respeitar e valorizar a diversidade cultural, sabendo contextualizar.

VERA LUNA

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Acumulo de conhecimento

MINHA CRIAÇÃO

A história oficial da educação
Começou com os jesuítas
Fazendo uma divasão
Dos europeus e dos indígenas.

Os índios que aqui viviam
Possuiam sua educação
Que era passada no dia-a-dia
Por eles daquela nação.

Os jesuítas ao verem aquilo
Pensando na dominação
Foram tentar modificar o índio
Criando uma nova educação.

Os índios inocentemente
Tentaram se rebelar
Os jesuítas sendo espertos
Criaram um plano para dominar

Com esse domínio
O jesuíta dividiu
A educação do pobre e do rico
E assim foi moldando o Brasil.

A criança da família
Pelos jesuítas foi tirada
Passando a ser vista
Como um anjo com asa.

O filho do pobre aprendia
Uma arte para trabalhar
Enquanto o filho de rico
Aprendia arte para impressionar.

Com o passar do séculos
Tendo os jesuítas sido expulsos
A criança passou a ser vista
Como miniatura de adultos.

Mesmo depois de muitas décadas
A educação não mudou
Ficou dividida em ouro e prata
E o regime militar que marcou.

A influência foi tão grande
Que o professor passou
Ficou dividido então
Em polivalente e arte educador.

A polivalência permite
Uma grande variedade
O professor se divide
Ensinando várias formas de artes.

Enquanto o arte educador
Tem a sua especificação
Domina o seu conteúdo
E explica o que é arte na educação.

Com o tempo ocorreram mudanças
No nome da arte na educação
Viviam mudando de nome
Para enganar a população.

Essas mudanças ocorreram
E vários nomes apareceram
Artes e ofícios, trabalhos manuais,
Artes aplicadas e artes industriais.

Quando a arte mudou de nome,
Para artes industriais.
As crianças usavam pinceis e colas
E os conteúdos deixaram para trás.

Vários movimentos foram criados
Porém o MEA foi o que mais avançou
As cianças a chamaram
"Escolinha", e assim ficou.

A educação teve uma fase
E as escolas dividiu
Meninas separadas dos meninos
Assim ficou a educação no Brasil.

As meninas aprediam
Bordar, pintar e costurar
Enquanto os meninos aprendiam
Um ofício para trabalhar.

A educação fica mais fácil
Com a arte na grade curricular
Por isso nas universidades
A arte começou a se diferenciar.

Com essa separação
Há três cursos educacionais
Diferente de educação artística
Tem agora teatro, música e artes visuais.

O conteúdo é muito extenso
Em um texto tudo não posso colocar
Escolhi os melhores momentos
Para poder dissertar.

Vou terminar agora
Por falta de inspiração
Espero que tenham gostado
Da minha simples criação.

Através desse texto, consegui demonstrar um pouco do meu conhecimento acumulado obtido nas aulas da História do Ensino das Artes, nesse primeiro péríodo.
Adriana da Silva Nascimento

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Conhecimentos Acumulados. Postado por Fátima Queiróz

Conversando com Miguel
Miguel pessoal foi um amiguinho durante muitos anos da minha irmã mais velha antes de eu nascer; ela me falou que era sozinha e as vezes conversava com Miguel um amiguinho da sua imaginação. Quando ela foi embora me deu o Miguel como amigo. Eu fui um pouco descuidada com Miguel, não dei a ela a atenção que ela dava, talvés por eu não me sentir tão só quanto ela.
Psiu! Miguel! Estás no silêncio?
Desculpas, por não te dar atenção, mas quero falar-te, dialogar um pouco, não por me sentir sozinha mas pela necessidade de falar, de passar meus conhecimentos, trocar ideias. Convido você a fazer uma viagem ao passado, topas? Sim vamos. Então aperte os cinto que vamos voar, vamos fazer uma retrospectiva com destino aos anos da colonização do nosso Brasil, quando os Jesuítas chegaram aqui e começaram a catequizar o nosso povo as nossas crianças.
Você sabia que a educação aqui começou com os Jesuítas? Só que a educação na época era para as elites!
E os pobre? Miguel você já viu pobre ter vez - Pobres-Índios-pra que estudar!
Esses estudavam com limites só para servir; os jesuítas educavam dentro da religião, até fizeram uma hierarquia, dividindo a infância da seguinte maneira.
- Infância Dourada ( para os nobres )
- Infância de Prata ( para a formação dos padres, classe média )
- Infância pobre e indígena: ( a esses eram dados uma formação profissional nas artes e ofícios).
Agora Miguel vamos mais além, vamos ao século XIX.
As crianças dessa época tinham uma educação a moda francesa, elas já poderiam olhar para frente, diferente da criança na educação Jesuíta que olhavam para o céu.
Nesse período só a classe média sabia ler e escrever, e era destinado para servir ao governante.
A criança desse século XIX era confundida com adulto, suas imagens em pesquisa eram sempre com um semblante preocupado.
Miguel
, o professor Erinaldo mandou que fizéssemos uma sondagem sobre o que sabíamos a respeito do ensino das artes visuais. Você sabe alguma coisa?, Vou te falar sobre: artes visuais estar relacionada a tudo que vemos, tudo que nos cerca, o mundo em si, as imagens, esculturas, desenhos, pinturas, televisão, vídeo, informática, tudo que envolve o mundo moderno e contemporâneo. Falei o que sabia e li o que as colegas escreveram, enriquecendo mais os meus conhecimentos, essa troca é muito legal, vá aprendendo tudo que estou te falando, esse mundo das artes é fascinante. Depois fomos induzidos a fazer uma pesquisa; Toda turma foi dividida em grupos, cada grupo ficou de pesquisar sobre um determinado ano. Eu a Riso e o Beto ficamos com a infância dos anos 60. Foi muito interessante.
Os anos 60 foi o período da ditadura, não poderíamos nunca falar o que realmente sentíamos, nem tão pouco se expressar livremente, me lembro muito bem eu era pequena e essa época estudava em um colégio de freira, éramos enquadradas nas regras, kkkk logo eu que nunca gostei de regime a ser seguido, mas sobrevivi, era pequena ainda sabia calar.
Em seguida o professor falou sobre a educação pela arte.
A importância que a arte tem em nossas vidas e como ela viabiliza o saber, sensibilizando o aluno e instigando esses a ser criativo e crítico dentro de seu meio. A arte é uma forte aliada para a educação.
Pesquisamos sobre dois estudiosos da educação.
- Herbert Read (o qual defendia a formação universal de sujeitos auto-expressivos, felizes e pacíficos) e Viktos Lowenfild (que valorizava o processo da criança, enquanto pensamento, percepção e reações ao ambiente, buscando a formação de sujeitos com imaginação criadora, explorando a capacidade do aluno.
Depois de toda essa movimentação, reformas na educação, buscando caminhos, surgiu um movimento aqui no Brasil, liderado por Augusto Rodrigues. A escolinha de arte no Brasil, que teve início no Rio de Janeiro depois se propagou por outras cidades Brasileiras inclusive no Recife e em João Pessoa. Agora a criança já tinha a liberdade de se expressar livremente e de trabalhar, desenhando o que lhe interessava e que para ele tinha significado. O professor só entrava em cena quando o aluno lhe pedia auxilio, ai sim ele orientava.
Agora vou te explicar Miguel o que é Arte Educação e Educação Artística.
Olha, isso foi questionado para que toda a turma desse sua opinião a respeito. A Educação Artística o professor trabalhava com a polivalência e superficial, os conteúdos eram ministrados sem muito aprofundamento, já o Arte educador trabalha sua área especifica, formando o aluno em um ser crítico e consciente. Os conteúdos são contextualizados, visualizados procurando chegar num fazer mais consciente.
Miguel você gosta de desenhar? Eu só falo e não lhe dou a chance de você dizer o que gosta, mas vai chegar sua vez.
Adoro desenhar, vamos falar um pouco sobre Arte Industrial.
Era ensinado desenho mas não era esperado que surgissem grandes artistas, mas sim operários mecânicos, capazes de ler os signos mais importantes para o exercício de suas funçôes, capazes de compreender os signos do desenho e traduzir objetos úteis a sociedade.
Agora formavam alunos de nível técnico para trabalhar nas indústrias. O aluno preparado com o desenho técnico para produzir para o consumidor e o produtor, determinando a oferta e a procura nas indústrias do gosto. (Barbosa, 1882:07).
Saímos agora para as Artes Aplicadas ( para o lar)
Essa arte aplicada diferenciava o fazer entre meninos e meninas assim.
- Os meninos ( Trabalhos manuais) Era ensinado técnicas do desenho.
- As meninas (Aulas de economia doméstica).
Agora Miguel, depois dessa nossa viagem por todo o processo da educação infantil, desde os Jesuítas até a década de oitenta, você jamais será o mesmo. Espero que você tenha gostado e aprendido com todo esse conhecimento que te passei. Aprender é sempre bom e desculpe-me pelos 40 anos de silêncio, desde que minha irmã se foi e deixou você como meu amigo.
Fizemos uma viagem , espero que a primeira de muitas. Essa viagem foi ao passado que um dia foi presente e que jamais será futuro. E o pior é que eu amanhã, aliás nos num futuro próximo também seremos passado, só espero que lembrado.

domingo, 24 de agosto de 2008

Conhecimento Acumulado - História do Ensino das Artes Visuais

A proposta da disciplina História do Ensino das Artes Visuais, ministrada pelo Professor Erinaldo no 1º período do curso de Artes Visuais na UFPB pauta-se no estudo de registros fotográficos de crianças inseridas em diversos momentos dentro do cenário da história do ensino das artes visuais.

Tal método visual, sem dúvida, tem aguçado grandiosamente o envolvimento dos alunos para com a mencionada disciplina.

Iniciamos os estudos com as Artes e Ofícios (Século XVI), onde os Jesuítas romperam com o modelo educacional indígena. Para o Jesuitismo, a infância era algo maleável, capaz de se educar a qualquer tempo. Começaram a categorizar as crianças dentro de diferentes classes sociais (infância nobre ou dourada – formação catequética; infância colegial ou de prata – aprendiam a ler, escrever e falar bem; infância pobre e indígena – formação profissional nas artes e ofícios). Percebeu-se que desde essa época a arte ficava num patamar hierarquicamente inferior. Vale ressaltar, ainda, que a criança era o símbolo do fiel (noção angelical).

Fizemos, em seguida, uma pesquisa sobre todos os períodos da infância no mundo das artes, tendo sido incumbido ao meu grupo à busca por informações da disciplina Educação Pela Arte (década de 50).

Na aula seguinte, optou-se pela utilização de método retrospectivo, tendo iniciado com o ensino da Arte-Educação. Passamos a estudar, em seguida, a Educação Artística, Artes Industriais, Educação Pela Arte e Trabalhos Manuais / Artes Aplicadas. Confesso que, inicialmente, senti um pouco de dificuldade com a aludida metodologia, eis que, comumente, estamos habituados a vislumbrar todo e qualquer estudo em sua ordem cronológica comum.

Atentemos, pois, aos demais períodos estudados até então.

Com relação à Arte-Educação e ao ensino de Educação Artística, buscamos fazer um estudo comparativo-pedagógico entre ambos os momentos. Percebeu-se que o professor de Educação Artística (predominando na ditadura militar), voltava-se para a polivalência, explorando todas as artes simultaneamente, situação esta que dava ênfase no processo em detrimento do resultado e, ainda, ocasionava um aprendizado deficitário, restando focada na auto-expressividade do alunado. Já o Arte-Educador foca-se na interdisciplinariedade, trabalhando com a informação artística advindas de profissionais específicos de cada ramo da arte, enfatizando a criticidade dos estudantes, o que implica em um grandioso benefício para o educando.

No que diz respeito às Artes Industriais, o aluno estava relacionado ao mundo industrial, oportunidade em que o estudante era adequado à mencionada tecnologia através do desenvolvimento de projetos inseridos nessa temática (indústria). Prevalecia o incentivo ao trabalho coletivo e o desenvolvimento da capacidade criativa particularizada de cada aluno.

Dentro da Educação Pela Arte (meados da década de 50), vimos as marcantes presenças de Herbert Read (o qual defendia a formação universal de sujeitos auto-expressivos, felizes e pacíficos) e Viktor Lowenfeld (o qual valorizava o processo da criança, enquanto pensamentos, percepções e reações ao ambiente, buscando a formação de sujeitos com imaginação criadora, explorando a capacidade do alunado).

Vimos, ainda, os Movimentos Escolinha de Arte no Brasil, o qual tinha como premissa a educação através da arte e a expressão, com a preservação da personalidade infantil.

Estudamos, em seguida, o Escolanovismo, onde prevalecia a liberdade e a auto-expressividade, com as crianças inseridas no cerne da ação educativa, afastando o ensino artificial e verbalista e enfatizando a articulação do desenho com os trabalhos manuais.

Entre as décadas de 1930 e 1950, prevaleceu, no mundo das artes, o ensino dos Trabalhos Manuais e Artes Aplicadas, apresentando ambas a mesma concepção, sendo que a primeira nomenclatura era destinada aos meninos e a segunda às meninas. Atrelava-se o desenho às artes manuais na busca da satisfação das principais tendências e interesses das crianças. O bom sujeito docente, nesse período, era aquele articulado no ensino de desenho com trabalhos manuais.

Esse é, em síntese, o conhecimento acumulado adquirido na disciplina História do Ensino das Artes Visuais.


Carlos Nazareno Pereira de Oliveira

Conhecimento Acumulado

No início da disciplina fomos sondados sobre o nosso conhecimento sobre o ensino das artes visuais. Escrevi que não sabia muito, exceto sobre a minha experiência como estudante. Hoje posso dizer que consegui acumular muita informação a respeito. Talvez ainda esteja um pouco perdida porque tento seguir uma linha tradicional, mesmo que mentalmente, percorrendo uma linha do tempo, uma linha evolutiva.

O ponto de partida da disciplina foi o Jesuitismo e, aqui, ficou bem claro que os jesuítas tinham a consciência da importância da imagem, usando-a na ‘catequização’. E foi justamente uma imagem o que mais me marcou nessa aula: a imagem da infância de ouro, prata e bronze. O trabalho de uma ex-aluna que construiu uma pirâmide usando elementos figurativos, expondo a diferenciação que existia no ensino de acordo com a camada social na qual se encontrava determinada criança. Ouro eram os nobres, prata eram as crianças que seriam treinadas para falar bem, como religiosos, por exemplo, e bronze era a designação para a camada pobre, o ‘resto’, os que precisariam de treinamento profissional.

Como nosso estudo foi focado na infância, nossa primeira tarefa foi uma pesquisa sobre imagens de crianças nos anos 60. Encontramos, eu e Antonio, muitas imagens interessantes, inclusive de uma escola no interior no São Paulo, com toda a documentação fotográfica das instalações, incluindo sala de artes, de línguas, de geografia, hall de entrada, rotina dentro do ônibus escolar, etc... Dessa pesquisa algo que chamou a atenção foi a diferença como foram retratadas as crianças ricas, pintadas ou fotografadas, diversamente das pobres.

Após uma breve ausência, por motivos pessoais, retornei à disciplina e encontrei a turma estudando Educação pela Arte - movimento onde a arte era vista como manifestação emocional. Por isso, havia um incentivo ao contato, entre aluno e professor, com maior intensidade, freqüência e afeto. Seus principais idealizadores foram Herbert Read e Viktor Lowenfeld. No Brasil, esse incentivo à expressão artística espontânea acabou por supervalorizar a criança e a importância do seu processo criativo superou a do resultado do projeto. Augusto Rodrigues seria o líder desse movimento que veio a se chamar EAB, Escolinha de Arte no Brasil.

Esse intenso e calmo contato entre professor e aluno se inverte quando estudamos as Artes Industriais, onde o ensino da arte era direcionado à indústria e ao desenho industrial. A educação deveria ser mais prática e profissionalizante passando a ter uma maior utilidade, a da sobrevivência e da adaptação a um fato novo, a chegada da indústria - que iria necessitar de mão-de-obra especializada. Aqui no blog fiz uma postagem sobre esse tema com uma comparação fotográfica impressionante entre a sala de aula e o ambiente industrial. Muitas vezes é até possível confundirmos esses dois tipos de imagens.

Outro direcionamento prático, semelhante ao que ocorreu com as Artes Industriais, aconteceu com as Artes Aplicadas que eram conduzidas para o lar. A educação voltou-se para o lar, mas de maneira diferenciada entre os sexos. Os meninos tinham seus estudos artísticos denominados de Trabalhos Manuais e eram voltados para a produção técnica do desenho, enquanto que às meninas eram ministradas aulas de economia doméstica.

Percebemos, pelo que já foi exposto, que a postura do professor variou muito em relação à criança e ao ensino. Hoje podemos fazer uma comparação entre o que foi o professor de Educação Artística e o Arte Educador. Aquele era polivalente e superficial, cuja função abrangia as áreas de cênicas, plásticas e musicais, mas sem muito aprofundamento e em um processo de inércia no qual ficava esperando que os alunos exteriorizassem sua arte sem uma orientação mais eficaz do professor. Este induz a formação crítica do aluno, principalmente através de contato com obras de arte, acreditando que através do exercício o aluno pode se desenvolver - a arte deixa de ser um ‘dom’.

A proposta da disciplina era mostrar, de forma histórica, através de imagens, como a infância era mutável e como isso afetava diretamente o professor e a educação. Isso foi cumprido.



Karlene Braga

sábado, 23 de agosto de 2008

Conhecimento Acumulado

Ao longo do semestre estudamos a evolução e a mudança de nomenclatura do ensino das artes, farei agora uma síntese de todo o conhecimento acumulado ao longo desse período. Nosso objeto de estudo foi o Ensino das Artes Visuais, principalmente na infância.

Divididos em grupos, pesquisamos sobre a infância em determinada época. Descobrimos, assim, que esta variava muito desde os jesuítas ao tempo atual. Sobre a década de 50, podemos afirmar que foi uma época que contemplou uma infância feliz, cheia de brincadeiras – barra bandeira, dança de roda, jogo com pedrinhas – e liberdade. Nas aulas de arte, a criança era orientada sobre o que ia desenhar, mas da forma que quisesse, depois tinha que criar uma história sobre o desenho. Ou seja, mesmo sendo um ensino orientado, não excluía o processo criativo do aluno. Além de que, ao longo das aulas, essa criança ia ganhando mais liberdade, produzindo o que quisesse – normalmente, representava seu cotidiano, coisas presentes no seu dia a dia –, já sem orientação sobre o que desenhar.

Depois dessa pesquisa, fomos questionados sobre a diferença entre professor de educação artística e arte-educador. Conclui que a diferença é que o primeiro é polivalente, multifuncional, porém ensina o básico de várias coisas. Já o segundo é especializado em uma área, sabe praticamente tudo sobre uma vertente da arte. A idéia dos dois tipos de profissionais sobre o que é arte também difere muito. O professor de educação artística concebe a arte como um dom, já o arte-educador entende arte como um estudo e exercício contínuo, valorizando todo tipo de aluno, dos que tem mais habilidade aos que tem menos.

Após o estudo desses conceitos preliminares, passamos ao estudo da arte em suas variadas nomenclaturas.

A primeira foi chamada de Movimento Educação pela Arte, defendida e “pregada”, principalmente, por Herbert Read e Viktor Lowenfeld. Nesse movimento, era defendido o não uso de formas pré-prontas no ensino; o conhecimento dos artistas, por parte do aluno, para então formar seu senso crítico; acreditava-se que a arte era expressão de sentimento e que tinha certa função terapêutica.

A segunda fase estudada foi a chamada Escolinha de Arte do Brasil. Com foco nas diversas formas de arte, tinha como base de inspiração as teorias do filósofo de teórico da arte Hebert Read, fundamentadas na sua obra: Education Through Art, 1943. A escolinha procurou difundir a arte através do Jornal Arte & Educação, além de procurar desenvolver materiais específicos para essa área de ensino.

Depois estudamos sobre as Artes Industriais, que tomaram cara de ensino profissionalizante, o ensino do desenho foi direcionado ao projeto. Essa nova vertente da arte era direcionada à classe mais desfavorecida da população, com objetivo de obter, futuramente, mão-de-obra barata, porém especializada. Para os teóricos dessa época, o bom professor era aquele que oferecia ao estudante a “oportunidade de resolver seus próprios problemas relacionados com o planejamento e a execução de projetos de artes industriais. [...] É talvez mais importante, do ponto de vista do ensino, que a criança seja mais capaz de planejar corretamente seu projeto do que mesmo executá-lo com perfeição” (WILBER, 1966, p. 21).

E, por fim, mas não menos importante estudamos os Trabalhos Manuais e as Artes Aplicadas. Essa outra fase do ensino das artes, trás como objetivo a criação e confecção de objetos para uso cotidiano, remetendo um pouco à áreas como design, arquitetura, decoração. Inserida no contexto do art nouveau, essa etapa da arte tratou de integrar arte e lógica industrial. Na década de 20, as artes aplicadas foram englobadas pelo estilo art deco, que caminha perto da art nouveau, porém com linhas retas e estilizadas e formas abstratas. A fase de Trabalhos Manuais e Artes Aplicadas se parece muito com a de Artes Industriais, porém com formas mais abstratas, peças mais “exclusivas” e voltada ao uso cotidiano, sempre.



Thaís Behar